Batalhei muitos anos dentro da fonoaudiologia. Tive momentos maravilhosos, muitos. Mas tive também momentos muito difíceis. Por isso que estou agora tentando dar uma virada em minha vida. Quero uma CLT, férias, registro, entendem?
Mas vou contar um episódio super simpático, que aconteceu nos meus primeiros anos como terapeuta.
Aliás, esse caso foi o primeiro que atendi, logo depois de formada. Estava eu lá, no meu consultório, esperando meu primeiro cliente. Cheia de determinação, me achando a rainha da cocada preta. Sei tudo, posso tudo.
Chega um menininho, loirinho, lindo! Simpático, determinado. Passos firmes. Beleza, pensei. Vai ser moleza.
Primeira pergunta? Como você se chama, lindinho? Sai um som gutural, anasalado, ininteligível! Tento de novo, nada... Começo a me desesperar... Apelo pra mãe, super simpática e determinada. Percebo, então, que aquele anjinho tem uma deficiência gravíssima: embora já devidamente tratatdo cirurgicamente, ele nasceu sem o fechamento do palato. Fissura palatina é o nome da patologia. Começa, então, minha viagem de pleno terror e desespero. Percebo que toda a minha pose de rainha da cocada preta desaba. O que fazer? Como fazer?
Inicio um longo processo de estudos e surpevisões. Não sem antes falar com os pais do meu anjinho. Colocá-los a par de minha situação de recém formada. Conto com a colaboração e apoio deles.
Foram diversos anos de terapia, em que o sucesso do tratamento estampava-se diariamente. Ele era realmente um anjo. Superou suas dificuldades sempre com um sorriso no rosto. Nunca pensou em se retrair. Era falante, curioso, determinado. Um bom humor contagiante.
Certa vez, ouço seus passinhos subindo a escada. Entra na sala com aquele sorriso, iluminando meu dia. Traz nas mãos um papel, que me entrega prontamente.
Vários rabiscos enchem a folha. - Tó, é procê.
- Que lindo! Mas estou sem óculos e não entendo o que está escrito!
Sua carinha se fecha: - Tá iquito assim (está escrito assim): Não pitube! (não perturbe!). E sai da sala, batendo os pésinhos escada abaixo.
Que história, Diva! Você tem que voltar a atender imediatamente! Não só pelo seu próprio sucesso, mas também pelo benefício de tantos anjinhos loiros que existem por aí, precisando de anjas... Tô na torcida, agora e sempre!
ResponderExcluirbjo.